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Galinha caipira no Amazonas fortalece segurança alimentar, geração de renda e autonomia comunitária

  • Foto do escritor: Instituto Acariquara
    Instituto Acariquara
  • há 3 minutos
  • 5 min de leitura
Equipe técnica e moradores de uma comunidade amazônica reunidos em frente a um aviário do projeto de produção sustentável de galinha caipira.
Foto: Equipe do projeto e moradores de comunidade amazônica em frente ao aviário do Sistema Sustentável de Produção de Galinha Caipira, iniciativa que promove segurança alimentar, geração de renda e autonomia comunitária. Fonte: Comunicação do Acariquara

Entre 2025 e 2026, uma experiência de produção de galinha caipira no Amazonas vem demonstrando como uma tecnologia social pode contribuir para fortalecer a segurança alimentar, gerar renda e ampliar a autonomia de povos indígenas e comunidades tradicionais.


O Sistema Sustentável de Produção de Galinha Caipira para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do Amazonas é coexecutado pelo Instituto Acariquara e pela Gastromotiva, com apoio da Ambev e participação técnica do Programa Agentes UFAM. A iniciativa atua no Alto Rio Urupadí, em Maués, e na Terra Indígena do povo Mura, em Careiro da Várzea.


A proposta parte de uma necessidade concreta dos territórios: ampliar a produção local de proteína animal e criar alternativas de geração de renda para as famílias. Em períodos de estiagem, quando a navegabilidade dos rios pode ser comprometida e o acesso ao pescado se torna mais difícil, fortalecer a produção dentro das próprias comunidades representa uma estratégia importante para a segurança alimentar.


Uma tecnologia social construída com as comunidades


O sistema vai além da construção de aviários. A experiência foi estruturada em três etapas complementares: implantação do Aviário Escola, formação com engorda e abate e replicação da tecnologia social pelos participantes.


O Aviário Escola funciona como unidade produtiva e espaço de aprendizagem. É nesse ambiente que os participantes acompanham os ciclos de criação e desenvolvem conhecimentos relacionados ao manejo, alimentação, sanidade, biossegurança, organização dos plantéis e boas práticas de abate.


A formação acontece junto à prática. Dessa maneira, os participantes podem aplicar os conhecimentos diretamente na produção, identificar desafios e adaptar as estratégias às características de cada território.


Na etapa de replicação, o conhecimento adquirido passa a ser incorporado aos novos ciclos produtivos. A proposta não é estabelecer um modelo único de criação, mas oferecer princípios e conhecimentos que possam ser adaptados pelas comunidades de acordo com suas necessidades e condições locais.


130 pessoas já foram beneficiadas diretamente


Até o período analisado, o projeto contabiliza 130 pessoas diretamente beneficiadas, sendo:


  • 90 pessoas em Maués;

  • 40 pessoas em Careiro da Várzea.


Em Maués, a experiência contempla as comunidades Brasileia e São Domingos, localizadas no Alto Rio Urupadí. Já em Careiro da Várzea, as atividades são desenvolvidas na Aldeia Santo Antônio, do povo Mura.


Os primeiros aviários foram implantados em 2025 na Comunidade Brasileia e na Aldeia Santo Antônio. Em 2026, a experiência foi ampliada para São Domingos, retomando a configuração territorial inicialmente prevista para Maués.


Na Aldeia Santo Antônio, a implantação alcançou 11 famílias, com a disponibilização inicial de 200 aves no primeiro ciclo, além de atividades de preparação, orientação comunitária e acompanhamento técnico.


Primeiro ciclo teve 600 aves


A experiência também apresenta resultados expressivos na produção.


No primeiro ciclo produtivo, foram manejadas 600 aves, distribuídas entre os territórios:


  • 400 aves em Maués

  • 200 aves em Careiro da Várzea


A capacidade produtiva foi ampliada progressivamente. Para o segundo ciclo, foram contabilizadas 700 aves, enquanto o terceiro ciclo prevê 1.100 aves, conforme a execução registrada no projeto.


Em Maués, a produção passou de 400 aves no primeiro ciclo para 500 no segundo, com previsão de 700 no terceiro. No território Mura, foram trabalhadas 200 aves nos ciclos iniciais, com previsão de ampliação para 300 aves no terceiro ciclo.


O crescimento gradual permite que a ampliação da produção acompanhe o processo de aprendizagem e a capacidade das comunidades de conduzir os próprios ciclos produtivos.


Produção também gera renda


Além de contribuir para a alimentação das famílias, a galinha caipira no Amazonas também representa uma oportunidade de geração de renda.


No primeiro ciclo, foram registradas R$ 24 mil em receitas associadas à produção, sendo:


  • R$ 16 mil em Maués

  • R$ 8 mil em Careiro da Várzea


Com a ampliação dos lotes, os ciclos seguintes apresentam potencial de aumento da receita. Parte dos recursos obtidos com a comercialização também passou a ser destinada ao reinvestimento na própria atividade, criando condições para a continuidade da produção.


Esse processo ajuda a formar um ciclo de sustentabilidade econômica:


produção → consumo e comercialização → geração de receita → reinvestimento → novo ciclo.


Dessa forma, a criação deixa de ser apenas uma atividade produtiva e passa a integrar uma estratégia de autonomia econômica e organização comunitária.


Produção de carne e ovos amplia as possibilidades

Um dos aprendizados da experiência foi a possibilidade de adaptar os sistemas produtivos às necessidades das famílias. Parte das aves passou a ser destinada à postura, permitindo combinar a produção de carne e ovos.


Essa adaptação demonstra como a tecnologia social pode ser apropriada pelas comunidades e modificada de acordo com seus objetivos, fortalecendo tanto a alimentação das famílias quanto as possibilidades de comercialização.


Conhecimento técnico aliado aos saberes locais


A participação do Programa Agentes UFAM contribuiu para aproximar o conhecimento técnico-científico da realidade das comunidades. A parceria apoiou processos formativos, acompanhamento técnico e qualificação das atividades desenvolvidas nos territórios.


Entre os conteúdos trabalhados estão manejo, alimentação, sanidade, biossegurança, organização dos plantéis e boas práticas de abate.


A metodologia prioriza o aprendizado no próprio ambiente produtivo. Assim, os conhecimentos apresentados podem ser imediatamente aplicados, avaliados e adaptados pelas famílias.


Para o Instituto Acariquara, essa dimensão é fundamental para o sucesso da iniciativa. A tecnologia social não está apenas na estrutura física do aviário, mas principalmente no conhecimento que permanece com as pessoas e pode ser utilizado em novos ciclos.


Uma experiência que pode ser replicada


A experiência desenvolvida atualmente tem origem em uma iniciativa piloto realizada no Alto Rio Urupadí, em Maués. O primeiro modelo de Aviário Escola foi implantado na Comunidade São Sebastião e envolveu mulheres de comunidades ribeirinhas que enfrentavam dificuldades econômicas e situações de insegurança alimentar.


O primeiro ciclo apresentou 86% de taxa de sobrevivência das aves, e os aprendizados acumulados contribuíram para aperfeiçoar o modelo e ampliar sua aplicação em outros contextos.


Posteriormente, a tecnologia passou a dialogar também com ações de Assistência Técnica e Extensão Rural, permitindo sua adaptação às diferentes características das unidades familiares e dos territórios.


Com o apoio da Ambev, a partir de 2025, a experiência entrou em uma nova fase, com ampliação dos lotes produtivos e aplicação do modelo em diferentes contextos socioculturais.


Segurança alimentar, renda e autonomia


Os números ajudam a dimensionar os resultados da iniciativa: 130 pessoas beneficiadas diretamente, 600 aves manejadas no primeiro ciclo e R$ 24 mil em receitas geradas.


Mas os impactos do projeto também aparecem em dimensões que vão além dos indicadores produtivos.


Estão no conhecimento adquirido pelas famílias, na participação das mulheres na gestão produtiva e financeira, na organização comunitária, na possibilidade de produzir proteína dentro do próprio território e na capacidade de adaptar a tecnologia às necessidades locais.


Também estão na criação de mecanismos para que os recursos gerados possam retornar à própria atividade e contribuir para financiar novos ciclos.


O Sistema Sustentável de Produção de Galinha Caipira para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do Amazonas demonstra que uma tecnologia social ganha força quando é apropriada pelas comunidades, adaptada às realidades locais e transformada em conhecimento, produção e autonomia.


É nesse encontro entre segurança alimentar, formação, organização comunitária e geração de renda que o Instituto Acariquara segue desenvolvendo iniciativas voltadas às realidades dos territórios amazônicos.


Instituto Acariquara + GastromotivaCom apoio da Ambev e participação técnica do Programa Agentes UFAM.


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