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Pesquisa revela potencialidades do Médio Amazonas para fortalecer políticas públicas e o desenvolvimento sustentável

  • Foto do escritor: Instituto Acariquara
    Instituto Acariquara
  • 23 de jul.
  • 3 min de leitura
Evento realizado na UFAM apresenta pesquisa do Atlas ODS Amazônia e Instituto Acariquara sobre as potencialidades territoriais de municípios do Médio Amazonas, destacando desenvolvimento sustentável e participação comunitária.
Pesquisadores do Atlas ODS Amazônia e representante do Instituto Acariquara apresentam os resultados do estudo Mapa de Potencialidades Territoriais, desenvolvido nos municípios de Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará.

Uma pesquisa desenvolvida pelo Atlas ODS Amazônia, em parceria com o Instituto Acariquara, apresentou resultados inéditos sobre as potencialidades territoriais dos municípios de Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará, localizados na região do Médio Amazonas. O estudo foi apresentado durante um café da manhã realizado no Laboratório Multitemático da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), reunindo jornalistas, pesquisadores e representantes das instituições envolvidas.

O levantamento integra o projeto Mapa de Potencialidades Territoriais e combinou dados oficiais, análises de campo e uma ampla escuta com moradores, lideranças comunitárias e representantes do poder público. A proposta foi compreender, a partir da realidade vivida nos territórios, quais são os principais desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável da região.

Para o pesquisador do Atlas ODS Amazônia, Shedrac Macuacua, um dos grandes diferenciais do estudo está justamente na metodologia utilizada.

"Mais do que apresentar resultados, o grande ganho foi construir uma metodologia baseada na escuta ativa das comunidades. Se as políticas públicas devem funcionar para uma determinada comunidade, é importante que essa comunidade se sinta parte da sua construção."

Segundo o pesquisador, o trabalho desenvolvido demonstra que ouvir a população é um passo essencial para elaborar políticas públicas mais eficazes e alinhadas às necessidades dos territórios.

Ao longo da pesquisa, foram identificadas características comuns entre os quatro municípios, como o forte associativismo, o cooperativismo, o extrativismo e o potencial para o turismo de base comunitária e o turismo religioso.

O pesquisador Danilo Egle, do Atlas ODS Amazônia, destacou que o estudo confirmou aquilo que os próprios moradores apontavam durante as entrevistas realizadas em campo.

"Encontramos algumas semelhanças, como a forte presença do associativismo e do cooperativismo, iniciativas de extrativismo e também um grande potencial para o turismo de base comunitária e o turismo religioso. O estudo revelou exatamente aquilo que os moradores enxergam como promissor para seus municípios."

Em Silves, por exemplo, o estudo resgatou a importância histórica do município na produção de cacau, juta e malva, além da tradição dos sistemas agroflorestais, elementos que continuam presentes na identidade econômica e cultural do território.

Além das escutas realizadas junto às comunidades, a pesquisa analisou indicadores relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Entre os destaques estão:

  • Silves, reconhecido como o município do interior mais bem colocado no Índice ODS Amazonas, com excelente desempenho em indicadores de saúde e preservação ambiental;

  • São Sebastião do Uatumã, que se destaca pelo elevado percentual de áreas protegidas, crescimento econômico e bons indicadores de acesso à água segura;

  • Itapiranga, que figura entre os dez melhores municípios do estado em desempenho ambiental, com baixas taxas de desmatamento e bons indicadores de saúde;

  • Urucará, reconhecido pelos resultados positivos em saúde, acesso à água segura e preservação ambiental.

Embora o estudo também identifique desafios relacionados à infraestrutura, transparência pública e acesso a serviços, os resultados evidenciam que cada município possui ativos importantes capazes de impulsionar seu desenvolvimento.

Para o diretor executivo do Instituto Acariquara, Dr. Ademar Vasconcelos, a principal contribuição da pesquisa está na construção coletiva do conhecimento.

"Acreditamos firmemente que, para uma política pública ou iniciativa social funcionar de verdade, a comunidade precisa se sentir parte da sua criação. Essa participação ativa e o engajamento da sociedade são os maiores ganhos desse trabalho."

Segundo ele, além dos resultados obtidos, a metodologia construída durante a pesquisa representa um importante legado para futuras iniciativas.

"Os dados e a metodologia estão disponíveis, e o Instituto Acariquara segue de portas abertas para dialogar com outros pesquisadores, somar forças e continuar construindo soluções para a nossa Amazônia."

O estudo é resultado da cooperação entre o Atlas ODS Amazônia, o Instituto Acariquara e a Eneva, reunindo pesquisa científica, participação social e análise territorial para subsidiar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Para o Instituto Acariquara, iniciativas como essa reforçam a importância da produção de conhecimento aplicada à realidade amazônica. Ao ouvir quem vive nos territórios, torna-se possível construir estratégias mais eficientes, fortalecer políticas públicas e valorizar as potencialidades locais como caminho para promover desenvolvimento com participação social e respeito às especificidades de cada comunidade.

 
 
 

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